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"I'll be around to grow...Who I was before, I cannot recall..."

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O êxodo

Tente imaginar-se nos últimos momentos de sua vida, bambeando na linha da morte. O que você sente? Eu digo: medo. Este sentimento não chega pela incerteza do que vem depois, mas desabrocha por saber que está deixando tanta coisa por fazer, deixando tanta coisa pra traz. Ficam todos e tudo o que ama, tudo o que você conhece e confia. O medo vem, porque em segundos nada disso pertencerá mais a você.

Enfim, a "escolha" já foi feita, você se foi...

Você está agora num lugar onde parece que ninguém nunca jamais esteve, você é o real nowhere man, sitting in your nowhere land, making all your nowhere plans for nobody. Aqui, do outro lado, a internet é o seu Chico Xavier, e você uma alma sem corpo, psicografada pela tecnologia. Isso faz você se manter vivo por um tempo, te conecta ao mundo que deixou, te faz dizer coisas que só a distância faz dizer, traz sentimentos que só a língua portuguesa tem, e te faz entender o real significado dessa palavra.

Mas, aqui, do outro lado, aos poucos você vai renascendo. Começa a engatinhar, a esboçar algum "q" de vida. Vai conhecendo novas pessoas, vai criando novas amizades, novos desejos, aprendendo a gostar de novas coisas... Vai entrando em uma nova vida. Uma vida totalmente inesperada.
Então, em um dado momento, você nota que se distanciou tanto do mundo em que seu corpo, e que ainda está tão longe do seu novo parto, que a única coisa com a qual você encontra é com você mesmo! Tudo depende apenas de você, e somente disso. Por perto não há mais ninguém cujo amor seja confortante a ponto de você ter ombros para chorar ou simplesmente se entregar a um abraço longo. Essa e a parte difícil, você chegou numa encruzilhada.

É uma muralha que te separa dos dois mundos, e ao mesmo tempo te conecta a eles: o virtual, que você não quer esquecer de vez, pois tudo o que ama ficou por lá, e o real, que não quer entrar, já que tem medo sentir tudo novamente e, outra vez, morrer no final. Este novo mundo, porem, atrai você de maneira insuportável. Ele inspira independência, aventura e emoção. Você vai viver este mundo. Vai viver como uma criança, vai rir sem conhecer o porquê, vai aprender sem perceber que esta aprendendo, vai amar tudo com muita força e detestar muito com muita com a mesma intensidade – não necessariamente um ou outro; e nem vai precisar de muito tempo pra migrar entre eles – porque lá, tudo é novo! A comida, o clima, o ar, os amigos, a língua, a rotina, as bebidas, as pessoas, as paisagens, a cultura toda, as músicas, as crenças...

Então você atinge um ponto notável: Você não é mais quem era e nem sua vida é como foi. Entrará em dilemas e confusões mentais que parecerão nunca se resolverem. Vai pensar por vezes em desistir, vai duvidar, muitas vezes, de você mesmo, e vai confiar sua vida a qualquer destino, já que não tem um em mente - sequer tem uma mente... Assim, começa um conflito que parece ser interminável, entre os seus dois mundos. A maneira que você sempre viveu e tudo em que sempre acreditou são agora desafiados sanguinariamente pela maneira que vive e pelas coisas em que começar a acreditar.

Começam, então, a se formar em sua mente – e sua mente começa a se formar –novos pontos de vista sobre a vida e sobre o viver. Agora muito mais maduros, reais e flexíveis! Naturalmente, você sentirá que precisa organizar a bagunça que ficou, e que precisa se desligar de tudo para conseguir isso. É preciso um tempo com você, é preciso um anular dos dois mundos que viveu, é preciso viajar, é preciso se esconder de tudo pra tentar reencontrar-se – novamente.

Nesta viagem, quando menos imaginar, virá a calmaria. Virá aquele final de tarde indo pra casa depois do batente, com o sol baixando e dizendo pra você: Parabéns! Você está vivo!


Servus!

Muito boas vindas!

Bem vindos delirosos, delirantes, perceptores e perceptivos!

Este primeiro post não resume os que o seguirão, nem introduz um pensamento unilateral.

Este é apenas o primeiro de várias, e distintas, ou não, expressões de sentimentos, desejos, curiosidades, delírios e percepções de uma pessoa comum.

Entre e sinta-se a vontade! Leia os posts, critique, mostre sua opinião sobre os assuntos.

Cada um de nós vive a sua maneira, cada um passando sempre por situações diversas de vida, que, mesmo semelhantes a de tantos outros, cada qual existiu independentemente e resultou em uma verdade individual. Este é um lugar para compartilharmos experiências, pensamentos, idéias e sentimentos e enriquecer nossas vidas com novos pontos de vista e percepções.

Repito, ainda, que aqui não existem verdades absolutas! Não discorde simplesmente, argumente! Os que aqui serão postados, não têm a insolência de imprimir em você uma verdade que não lhe pertença e nem reprimi-lo a modificação da sua própria visão. O objetivo aqui é que sejam abertas portas inusitadas, por onde tenhamos a oportunidade de visitar e conhecer lugares onde nunca imaginamos estar e de onde possamos trazer, naturalmente, temas com os quais possamos exercitar nossa compreensão de idéias que desafiam qualquer tipo de inércia mental.

Aqui não deve haver nenhum tipo de preconceitos ou “pré-conceitos”. Entretanto, toda e qualquer demonstração de insanidade mental ou falta de amor a vida, como a pedofilia, o terrorismo ou racismo, de qualquer gênero e em qualquer grau, não serão, de forma alguma, tolerados neste espaço.

Seja muito bem vindo ao Delírios e Percepções!