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quarta-feira, 18 de abril de 2012

A Simplicidade na Melhoria

A indústria brasileira, em especial o setor de máquinas e equipamentos, tem pela frente um grande desafio: sobreviver à batalha no mercado internacional carregando o peso do alto custo Brasil.

Por parte de nosso governo temos assistido a busca por diversos incentivos e planos, com o intuito de amenizar o impacto causado pelos baixos custos da concorrência internacional. Mas, como nós devemos encarar este confronto? A resposta é única e universal: tornando-nos melhores. Produzindo com menor custo e maior qualidade. Entendendo, aceitando e corrigindo nossas falhas. Buscando o caminho da praticidade. Simplificando.

Parafraseando da Vinci, “a simplicidade é o ultimo grau de sofisticação”. Nosso apego natural a desafios junto a nosso fascínio pelo complexo, muitas vezes nos cega às soluções práticas e simples para diversos problemas. Hoje se nos perguntarmos como podemos aprender a enxergar essas soluções na indústria, a reposta será: Lean Manufacturing!

O sistema de produção buscado incessantemente pelas grandes empresas do mercado mundial é o grande guia a caminho desta simplicidade, trazendo para o jogo um grande coringa, o Kaizen.

“O evento que acontece, na área industrial, dentro de quatro a cinco dias visa reduzir os desperdícios no processo é chamado de Kaizen”. Esta é a definição encontrada em livros sobre a ferramenta; mas Kaizen é muito mais que isso. Sentir a todo momento que podemos ser sempre melhores do que fomos é Kaizen. Criar soluções simples e criativas para problemas complexos é Kaizen. Tornarmos mais simples na visão “davinciana” é Kaizen. Fazer Kaizen é viver Kaizen.

Na UF01 temos seguido esta verdade. Temos buscado todos os dias entender como podemos nos tornar melhores, mais práticos e mais simples. Na UF 01 temos respirado o Kaizen, e vamos continuar, e sem parar, e de forma intensa, e a cada nova ideia.

Servus!

Guilherme de Abreu

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Esquerda... Direita... E o povo?

Depois da Telesp, da Vale, da Petrobras e de outras empresas publicas atingidas pelo grande furacão das privatizações tucanas em nosso país, alguns pontos auto-sustentam discussões: até que ponto essa política neoliberal, de gênesis inconstitucional no governo Collor, altamente disseminada por FHC e herdada pela frente vermelha da política nacional, com o duplo mandato do governo Lula, é válida para o povo brasileiro?

Não há que se tratar nesse post questões de ordem ideológicas, ou que se julgar modos de produção ou mentalidades político-sociais ao longo do tempo. Será discutido apenas um ponto de vista qualitativo dos principais aspectos acerca do tema, fundamentados em alguns artigos científicos encontrados na internet e bibliotecas de acesso público.

O NEOLIBERALISMO

O termo neoliberalismo teve sua origem, como explicita Anderson (1995), logo depois da II Guerra Mundial, na região da Europa e da América do Norte onde imperava o capitalismo, foi uma reação contra a intervenção do Estado nos motivos econômicos da época. O autor salienta ainda que


o texto de origem do neoliberalismo, O Caminho da Servidão, de Friedrich Hayek, escrito em 1944, trata de um ataque apaixonado contra qualquer limitação dos mecanismos de mercado por parte do Estado, denunciadas como uma ameaça letal à liberdade, não somente econômica, mas também política. O alvo imediato de Hayek, naquele momento, era o Partido Trabalhista inglês, às vésperas da eleição geral de 1945 na Inglaterra, que este partido efetivamente venceria.

Desta forma, destaca-se o neoliberalismo como uma nova mentalidade surgida em meados do século XX que identificava o Estado como uma instituição que não deveria se inter-relacionar com os interesses do mercado na época, uma vez que o bem estar social não era responsabilidade do Estado e sim do indivíduo.

Dentre os grandes precursores da mentalidade neoliberal, Margaret Thatcher em sua famosa frase ”Não existe essa coisa de sociedade, apenas indivíduos e as suas famílias" foi a primeira líder mundial a abraçar por vontade própria a idéia de mercado livre quando eleita em 1979. Ela atacou o poder dos sindicatos e os impostos. Procurou a privatização para liberar as energias empresariais, e defendeu que o bem-estar social depende da responsabilidade pessoal e não do Estado. “Não existe essa coisa de sociedade,” disse ela numa frase famosa, “apenas indivíduos e as suas famílias”. Ela cumpriu tudo isto por meios democráticos. “A ciência econômica é o método”, afirmou, “mas o objetivo é mudar a alma”.

Segundo CROTY (2000), a mais recente onda liberalizante, que teve seu início com a queda do muro de Berlim, foi promovida pelo FMI, por economistas liberais como Milton Friedman, por seguidores da Escola de Chicago, entre outros, sendo por eles apregoada como a solução que resolveria parte dos problemas econômicos mundiais, reduzindo a pobreza e acelerando o desenvolvimento global.

Hoje, o neoliberalismo vem sendo aplicado, em maior ou menor grau, por um grande número de países - dentre os quais se inclui o Brasil - a ONU resolveu analisar os resultados obtidos, e medir seus efeitos nas populações dos países onde as práticas neoliberais estão sendo adotadas.

O NEOLIBERALISMO NO BRASIL

Com o governo de Fernando Collor de Mello, no início da década de 90, o processo de privatização, vinculado a grandes desregulamentações e a um intenso processo de reestruturação, o neoliberalismo instaurou-se no Brasil “de modo aventureiro” (ANTUNES, 2005). O governo de Collor, foi marcado por pela implementação do Plano Collor, pela abertura do mercado nacional às importações e pelo início do Programa Nacional de Desestatização, no entanto inconstitucional.

Quando FHC iniciou seu governo, em 1995, conseguiu a aprovação de várias emendas à constituição, que facilitaram a entrada de empresas estrangeiras no Brasil, o que ajudou a acirrar a concorrência interna e diminuir preços, beneficiando a população. Fernando Henrique sancionou a Lei do Petróleo, uma lei ordinária que revogou a Lei N° 2004, e assim acabou com o monopólio estatal do petróleo no Brasil. Em geral, FHC tentou atacar todas as fontes de déficit público, para eliminar o problema da inflação, fazendo, por exemplo, uma reforma da previdência social. Pelo mesmo motivo, evitou conceder aumentos de salário aos servidores públicos.

Frente a greve dos petroleiros, que abalava o país na época, o neoliberalismo, iniciado com Collor, de modo aventureiro, encontrava em FHC uma “nova racionalidade” que exigia uma dura derrota ao movimento dos trabalhadores, visando pavimentar os caminhos do social-liberalismo no Brasil.

Como sucessor de FHC, o Brasil presenciou a vitória de Lula. Se em 2002 essa vitória da esquerda sinalizava, em alguma dimensão, o principiar da desmontagem da fase neoliberal, dois anos depois, pode-se constatar que os elementos de continuidade ultrapassaram completamente os traços de descontinuidade, abafando e finalmente ceifando as possibilidades de mudança com o cenário anterior.

O Brasil ajudava então a confirmar uma tese que tem sido reeditada pelo mundo: “as forças de esquerda que se credenciam para demover o neoliberalismo, quando chegam ao poder, freqüentemente tornam-se prisioneiras da engrenagem neoliberal.” (ANTUNES, 2005).

Motivo disso foi constatação que a primeira “reforma” do governo Lula, a (contra) reforma de previdência pública e sua privatização, foi agendada pelo FMI, imposição que o governo aceitou sem resistência, desestruturando um setor importante da classe trabalhadora brasileira, composta pelos funcionários públicos e que havia sido, até então, um dos pilares de sustentação do PT.

As explicações são, por certo, complexas, mas se encontram em grande medida na contextualidade vivenciada na década dos 90, onde se presenciou a proliferação do neoliberalismo na América Latina – embora esse já houvesse se antecipado nas ditaduras militares do Chile e da Argentina -, o desmoronamento do “socialismo real”.

POR MIM

Decerto, na atualidade de nosso país, a resposta a questão inicial não fica clara quando se versa sobre o neoliberalismo. Sob um ponto de vista particular, não há que se estreitar as necessidades de um povo às ideologias de um partido ou aos caprichos de pressões internas ou externas, que visem qualquer outra vertente aquém do objetivo máximo que a liderança de um país democrático deve ter: o atendimento as necessidades do povo frente a quaisquer interesses particulares. E neste ponto, o governo Lula tem sido muito melhor do que os outros.


REFERÊNCIAS

ANDERSON, Perry. Balanço do neoliberalismo. In: SADER, Emir & GENTILI, Pablo (orgs.) Pós-neoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995, pp. 09-23.

ANTUNES, Ricardo. O governo Lula e a desertificação neoliberal no Brasil: http://resistir.info/, 21/01/2005.

CROTTY, James. Slow Growth, Destructive Competition, and Low Road Labor Relations: A Keynes-Marx-Schumpeter Analysis of Neoliberal Globalization. PERI- Political Economy Research Institute, PERI Publications, 11/1/2000

http://resistir.info/


NOTA IMPORTANTE

Dos tópicos "O NEOLIBERALISMO" e "O NEOLIBERALISMO NO BRASIL", grande parte do texto não é de minha autoria. Verifique as referências para maiores informações sobre o assunto.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Fato epacmástico ou já consumado?

Sábado último, discutimos em uma mesa qualquer um tópico que qualquer nunca há de ser: Segurança no Brasil.

O que é sentir-se seguro?

Talvez nós, brasileiros, tão acostumados em vivermos em fortalezas, tenhamos um conceito de segurança tanto quanto deturpado. E por isso começo com tal pergunta.

Sentir-se seguro é não pensar em segurança! Infelizmente, em nosso dicionário pessoal o sentir-se seguro foi substituído pela falsa sensação de sentir-se protegido.

No debate, um grande amigo meu, alemão, contou sobre sua viagem ao Brasil. Disse ele ter conhecido em nosso país um rapaz, brasileiro, que afirmava não ter problemas de segurança. Num impulso (como talvez num pensamento um pouco alto) disse o alemão, frente a tal aparente contrariedade: "Você já viajou para fora do Brasil?".

De fato, a concepção de segurança para um europeu é outra. Não é possível para eles achar natural que vivamos em fortalezas, como as embaixadas, consulados ou bancos na Europa. Mas e para nós? Isso é natural? É normal?

Somos prisioneiros de nossas próprias soluções. Como brasileiro, tendo em mim tatuados os pré-conceitos da nossa errónia concepção de segurança, e visto, ainda, o lado europeu da questão, não consigo imaginar uma saída iminente e nem acredito em soluções radicais, ou esporádicas, que possam desviar o rumo que seguimos. Quaisquer tentativas do tipo seria parar um tsunami com barricadas de areia!

Mas o que deve ser feito? Não é fácil enxergar uma solução para isso. Antes de tudo, é preciso saber onde realmente estamos neste contexto! Analisar os fatos reais da situação para tentarmos definir as variáveis e funções deste sistema caótico. Depois disso, depois que os fatos e sua conjuntura estiverem claros, e bem definidos, analisar o montante e encontrarmos a luz no final deste longo túnel. Enquanto isso não acontecer, seremos obrigados a nos adaptar a todo e cada avanço da degradação que sofre nossa fajuta idéia de segurança, seja com sistemas de alarme, com a outorga do porte de armas ou, ainda, com o desenvolvimento de mentes sociopatas.

Enquanto nossos conceitos de qualidade de vida não deixarem de ser estereotipados por nós mesmos, por nossos pontos de vista unilaterais, não há razão e nem sentido lutarmos. Assim nunca saberemos contra o que lutar.

A boca popular não cansa de citar o quanto é abençoado nosso país. No Brasil não há terremotos, não há tornados, não há tsunamis... Concordo inteiramente! É triste assistirmos desastres naturais devastando cidades, destruindo vidas e traumatizando mentes. No entanto, são fatos e azares, hoje inevitáveis. Logo me pergunto: Será que não termos estes motivos pra nos preocupar, é uma motivação para criarmos nossas próprias tragédias?

No Haiti, pessoas morrem por uma desgraça inelutável, no Brasil morremos por conseqüência de decisões, ou pela indiferença, de nossos lideres. Só espero que a catástrofe social na qual estamos inseridos, não agrupe com os terremotos e furacões, pois isso não é natural. E se chegarmos aí, estaremos perdidos.

Servus!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

As quatro faces

Depois de 11 meses na Alemanha, passei, finalmente pelas quatro estações do ano. Fato que, para nós brasileiros, é digno de um Brinde! Um Prost (Jawohl!!!) às quatro estações!

Cheguei por aqui no final do inverno, início da primavera. E que primavera! É incrível notar a diferença; que parece até discreta, tal a rapidez com que chega; em questão de duas semanas. Tudo era nada, um terreno vazio, onde não era preciso esticar o pescoço ou a imaginação para enxergar além das árvores, por entre seus galhos nus. Então, como num piscar de olhos, tudo é verde! Um verde vivo e lindo! Tão incrível e sensual, que sua beleza reflete no rosto de todos que o contemplam. A temperatura agora é agradabilíssima! Tudo é extremamente gemütlich. É indescritível a sensação que salta aos olhos dos que aqui moram ao sentar-se num Biergarten depois de alguns meses sobrevividos sob o frio intenso.

Ainda deslumbrados pelos três meses tematizados pelas mais belas flores e alimentados pela felicidade da eterna calmaria primaveril, chegamos o verão alemão!

Regensburg é a terceira maior cidade da Bavária, ficando atrás de München e Nürnberg, nesta ordem. Aqui o verão é um espetáculo a parte. Os prazeres de andar por seu centro histórico, bebendo uma Bayrischesbier – Augustiner, de preferência – em direção a um dos mais importantes rios da Europa, O Donau (Danúbio, em português), não podem ser esboçados, de maneira nenhuma, por frases ou palavras.

Às vezes com uma caixa da melhor cerveja do mundo, às vezes com uma churrasqueira pelos ônibus da cidade - muitas vezes com ambas - e acompanhado pelos amigos, e irmãos, é possível respirar a alegria e o prazer de viver! Da vontade de gritar até perder a voz, só pra comemorar o sol que se vai, ungefähr, às 21h30min.

Além de tudo, o verão na Bavária é acompanhado de muitas festas: as Volksfest (Festas do povo), sendo a mais conhecida delas é a Okberfest - que apesar do no nome acontece em setembro na cidade de Munique. Ok! Não podemos tirar o credito da maior festa do mundo, mas se realmente deseja-se sentir o espírito bávaro, beber as melhores cervejas da região e respirar a instigante cultura deste povo, é preciso ir às pequenas festas! E há muitas delas: Dult, duas Dults, Frülingsfest, Straublingsfest, Dachaufest, e por ai vai...

(Bem, mais um parágrafo para o verão! Porque ele merece...)

Esta estação destaca como nenhuma outra a beleza do povo alemão! As mulheres, incrivelmente lindas, em seus vestidinhos Dirndl - que realçam ainda mais as curvas destas maravilhosas damas loiras e angelicais - atacam qualquer pensamento masculino... Já os homens, que não ficam para trás em que questão de beleza; os homens mais belos do mundo a meu ver; se vestem com as tradicionais Lederhose, e num contra ataque equilibram o espaço, esquentando o sangue feminino. No final o que resta são vulcões de desejos, regados ao melhor tipo de álcool bebível, vestidos em Dirndls e Lederhoses, na iminência de uma erupção. O verão alemão, com seus constantes 28 graus, e picos de 35, é definitivamente uma das melhores coisas do mundo!

Infelizmente, os dias ensolarados vão chegando ao final... Entretanto, deixando algo em seu lugar. A estação mais charmosa do ano chega serena e calma, como o final de uma bela tarde. As árvores se enfeitam das mais diversas cores, as pessoas se acalmam, e, ainda felizes pela linda temporada que viveram, agora, como as árvores enfeitam-se com belos chales, cachecóis e apetrechos característicos da época. O outono europeu é um conjunto de belezas que, por si só, faz suspirar tudo que vive.

Inverno. A estação introspectiva. A casa acaba sendo o meio de convívio mais comum. Os boliches, sinucas, lotam a faltar ar. Pessoalmente, o anoitecer, às 16h30min, não seria um problema, até que os dias foram passando...

O inverno é a estação mais nostálgica, ou saudosa; talvez mais nostálgica, ou saudosa, do que fria; do ano. Dias e mais dias sem deparar-se com qualquer sol do lado de fora, aos poucos, leva o mais animado a uma vida rotinada que, ao seu modo e sem culpa, deprime qualquer alma. Acordar sob constantes -10 graus, ir para o trabalho, e ficar lá até o anoitecer, – 16h30min – faz qualquer um ansiar-se pela chegada em casa, só para encontrar seu quartinho eletricamente aquecido e tristemente aconchegante.

Porém, o inverno não é de todo o mal! A cidade, deslumbrantemente coberta de branco, irradia a beleza característica deste período do ano! Começam, então, as brincadeiras e os esportes de inverno! Bolas de neve, anjinhos de neve, bonecos de neve, tudo de neve, snowboard, ski, e por ai vai... Enfim, nesta estação, com uma dose extra de falta de comodismo e roupas adequadas, pra encarar o frio, a diversão está garantida!

Em 25 dias estou embarcando de volta para a pátria mãe. Junto de tudo mais que levarei comigo, a sensação de ter conhecido as quatro faces deste país maravilhoso, e as recordações que disso ficaram, estarão, com certeza, guardadas em um lugar feito especialmente para eles. Para que enquanto o tempo de revivê-los não chegar, eu possa admirá-los e relembrá-los, mantendo vivo o sonho de Alemanha que um dia eu vivi!

Servus!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O êxodo

Tente imaginar-se nos últimos momentos de sua vida, bambeando na linha da morte. O que você sente? Eu digo: medo. Este sentimento não chega pela incerteza do que vem depois, mas desabrocha por saber que está deixando tanta coisa por fazer, deixando tanta coisa pra traz. Ficam todos e tudo o que ama, tudo o que você conhece e confia. O medo vem, porque em segundos nada disso pertencerá mais a você.

Enfim, a "escolha" já foi feita, você se foi...

Você está agora num lugar onde parece que ninguém nunca jamais esteve, você é o real nowhere man, sitting in your nowhere land, making all your nowhere plans for nobody. Aqui, do outro lado, a internet é o seu Chico Xavier, e você uma alma sem corpo, psicografada pela tecnologia. Isso faz você se manter vivo por um tempo, te conecta ao mundo que deixou, te faz dizer coisas que só a distância faz dizer, traz sentimentos que só a língua portuguesa tem, e te faz entender o real significado dessa palavra.

Mas, aqui, do outro lado, aos poucos você vai renascendo. Começa a engatinhar, a esboçar algum "q" de vida. Vai conhecendo novas pessoas, vai criando novas amizades, novos desejos, aprendendo a gostar de novas coisas... Vai entrando em uma nova vida. Uma vida totalmente inesperada.
Então, em um dado momento, você nota que se distanciou tanto do mundo em que seu corpo, e que ainda está tão longe do seu novo parto, que a única coisa com a qual você encontra é com você mesmo! Tudo depende apenas de você, e somente disso. Por perto não há mais ninguém cujo amor seja confortante a ponto de você ter ombros para chorar ou simplesmente se entregar a um abraço longo. Essa e a parte difícil, você chegou numa encruzilhada.

É uma muralha que te separa dos dois mundos, e ao mesmo tempo te conecta a eles: o virtual, que você não quer esquecer de vez, pois tudo o que ama ficou por lá, e o real, que não quer entrar, já que tem medo sentir tudo novamente e, outra vez, morrer no final. Este novo mundo, porem, atrai você de maneira insuportável. Ele inspira independência, aventura e emoção. Você vai viver este mundo. Vai viver como uma criança, vai rir sem conhecer o porquê, vai aprender sem perceber que esta aprendendo, vai amar tudo com muita força e detestar muito com muita com a mesma intensidade – não necessariamente um ou outro; e nem vai precisar de muito tempo pra migrar entre eles – porque lá, tudo é novo! A comida, o clima, o ar, os amigos, a língua, a rotina, as bebidas, as pessoas, as paisagens, a cultura toda, as músicas, as crenças...

Então você atinge um ponto notável: Você não é mais quem era e nem sua vida é como foi. Entrará em dilemas e confusões mentais que parecerão nunca se resolverem. Vai pensar por vezes em desistir, vai duvidar, muitas vezes, de você mesmo, e vai confiar sua vida a qualquer destino, já que não tem um em mente - sequer tem uma mente... Assim, começa um conflito que parece ser interminável, entre os seus dois mundos. A maneira que você sempre viveu e tudo em que sempre acreditou são agora desafiados sanguinariamente pela maneira que vive e pelas coisas em que começar a acreditar.

Começam, então, a se formar em sua mente – e sua mente começa a se formar –novos pontos de vista sobre a vida e sobre o viver. Agora muito mais maduros, reais e flexíveis! Naturalmente, você sentirá que precisa organizar a bagunça que ficou, e que precisa se desligar de tudo para conseguir isso. É preciso um tempo com você, é preciso um anular dos dois mundos que viveu, é preciso viajar, é preciso se esconder de tudo pra tentar reencontrar-se – novamente.

Nesta viagem, quando menos imaginar, virá a calmaria. Virá aquele final de tarde indo pra casa depois do batente, com o sol baixando e dizendo pra você: Parabéns! Você está vivo!


Servus!

Muito boas vindas!

Bem vindos delirosos, delirantes, perceptores e perceptivos!

Este primeiro post não resume os que o seguirão, nem introduz um pensamento unilateral.

Este é apenas o primeiro de várias, e distintas, ou não, expressões de sentimentos, desejos, curiosidades, delírios e percepções de uma pessoa comum.

Entre e sinta-se a vontade! Leia os posts, critique, mostre sua opinião sobre os assuntos.

Cada um de nós vive a sua maneira, cada um passando sempre por situações diversas de vida, que, mesmo semelhantes a de tantos outros, cada qual existiu independentemente e resultou em uma verdade individual. Este é um lugar para compartilharmos experiências, pensamentos, idéias e sentimentos e enriquecer nossas vidas com novos pontos de vista e percepções.

Repito, ainda, que aqui não existem verdades absolutas! Não discorde simplesmente, argumente! Os que aqui serão postados, não têm a insolência de imprimir em você uma verdade que não lhe pertença e nem reprimi-lo a modificação da sua própria visão. O objetivo aqui é que sejam abertas portas inusitadas, por onde tenhamos a oportunidade de visitar e conhecer lugares onde nunca imaginamos estar e de onde possamos trazer, naturalmente, temas com os quais possamos exercitar nossa compreensão de idéias que desafiam qualquer tipo de inércia mental.

Aqui não deve haver nenhum tipo de preconceitos ou “pré-conceitos”. Entretanto, toda e qualquer demonstração de insanidade mental ou falta de amor a vida, como a pedofilia, o terrorismo ou racismo, de qualquer gênero e em qualquer grau, não serão, de forma alguma, tolerados neste espaço.

Seja muito bem vindo ao Delírios e Percepções!