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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Fato epacmástico ou já consumado?

Sábado último, discutimos em uma mesa qualquer um tópico que qualquer nunca há de ser: Segurança no Brasil.

O que é sentir-se seguro?

Talvez nós, brasileiros, tão acostumados em vivermos em fortalezas, tenhamos um conceito de segurança tanto quanto deturpado. E por isso começo com tal pergunta.

Sentir-se seguro é não pensar em segurança! Infelizmente, em nosso dicionário pessoal o sentir-se seguro foi substituído pela falsa sensação de sentir-se protegido.

No debate, um grande amigo meu, alemão, contou sobre sua viagem ao Brasil. Disse ele ter conhecido em nosso país um rapaz, brasileiro, que afirmava não ter problemas de segurança. Num impulso (como talvez num pensamento um pouco alto) disse o alemão, frente a tal aparente contrariedade: "Você já viajou para fora do Brasil?".

De fato, a concepção de segurança para um europeu é outra. Não é possível para eles achar natural que vivamos em fortalezas, como as embaixadas, consulados ou bancos na Europa. Mas e para nós? Isso é natural? É normal?

Somos prisioneiros de nossas próprias soluções. Como brasileiro, tendo em mim tatuados os pré-conceitos da nossa errónia concepção de segurança, e visto, ainda, o lado europeu da questão, não consigo imaginar uma saída iminente e nem acredito em soluções radicais, ou esporádicas, que possam desviar o rumo que seguimos. Quaisquer tentativas do tipo seria parar um tsunami com barricadas de areia!

Mas o que deve ser feito? Não é fácil enxergar uma solução para isso. Antes de tudo, é preciso saber onde realmente estamos neste contexto! Analisar os fatos reais da situação para tentarmos definir as variáveis e funções deste sistema caótico. Depois disso, depois que os fatos e sua conjuntura estiverem claros, e bem definidos, analisar o montante e encontrarmos a luz no final deste longo túnel. Enquanto isso não acontecer, seremos obrigados a nos adaptar a todo e cada avanço da degradação que sofre nossa fajuta idéia de segurança, seja com sistemas de alarme, com a outorga do porte de armas ou, ainda, com o desenvolvimento de mentes sociopatas.

Enquanto nossos conceitos de qualidade de vida não deixarem de ser estereotipados por nós mesmos, por nossos pontos de vista unilaterais, não há razão e nem sentido lutarmos. Assim nunca saberemos contra o que lutar.

A boca popular não cansa de citar o quanto é abençoado nosso país. No Brasil não há terremotos, não há tornados, não há tsunamis... Concordo inteiramente! É triste assistirmos desastres naturais devastando cidades, destruindo vidas e traumatizando mentes. No entanto, são fatos e azares, hoje inevitáveis. Logo me pergunto: Será que não termos estes motivos pra nos preocupar, é uma motivação para criarmos nossas próprias tragédias?

No Haiti, pessoas morrem por uma desgraça inelutável, no Brasil morremos por conseqüência de decisões, ou pela indiferença, de nossos lideres. Só espero que a catástrofe social na qual estamos inseridos, não agrupe com os terremotos e furacões, pois isso não é natural. E se chegarmos aí, estaremos perdidos.

Servus!

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